E a quantas anda o caso Ricardo Costa?
O "tribunal" do estado (de paranóia) do Arizona continua insistindo em 75 milhões de dólares e em fazê-lo assinar um documento FALSO de culpa em crimes que ele não cometeu?
Algum familiar do Ricardo para nos contar o que está acontecendo?
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Free Ricardo Costa: Trocando 6 por meia dúzia de má vontade
Ontem (17/08/2011), em Yavapai, Arizona, a Suprema Corte da localidade reuniu-se com o advogado de Ricardo Costa, Bruce Griffen, para uma audiência em torno da fiança absurda para liberação do jovem Brasileiro acusado - pela ex-esposa dele, a americana Denise Martin e uma psicóloga que perdeu a licença de exercício da profissão por má-prática - de ter molestado sexualmente dois dos três filhos.
Além de Griffen e da mesma juiza que tinha estipulado a milionária fiança contra Ricardo - 75 milhões de dólares, a maior fiança já estipulada no sistema judiciário americano -, Tina Ainley, estava o promotor de Justiça que o acusa do crime, Bill Hugues.
Da parte da juiza, ela afirmou recentemente que "o caso de Ricardo tinha prioridade para julgamento e que o atraso no julgamento é natural devido a série de problemas que ocorreram no decorrer destes quase mil dias". O julgamento dele superará os mil dias de espera, uma vez que completará 1000 dias em 15 de setembro de 2011 e está marcado para fins de novembro e começo de dezembro - espera-se que ainda neste ano.
O promotor sustentou que Costa é "um sério candidato a fugir para o Brasil se solto" e que o ex-manequim, nascido em Campinas/SP e radicado nos EUA desde o casamento com Denise Martin em 1993 "teria condições financeiras para pagar tal fiança e, que além dos bens de Ricardo, amigos e conhecidos poderiam cooperar para o pagamento de uma fiança no valor proposto por ele ontem".
Bruce Griffen argumentou que 25 mil dólares é uma fiança mais do que justa a ser cobrada do Brasileiro, mas o promotor contra argumentou que, "em outros casos semelhantes, uma fiança de 1 a 2 milhões de dólares é satisfatória". Percebendo a má vontade do promotor e da juiza em relação a Ricardo, o advogado de defesa decidiu optar pela estratégia de abrandamento com eles e apenas pediu para que a decisão de diminuição da fiança fosse divulgada o quanto antes. A juiza afirmou que sua decisão não sairia mais tarde do que semana que vem.
***
No website onde foi divulgada esta noticia, há diversos comentários. Faço questão absoluta de copiá-los para mostrar ao caro leitor que até o público americano está bastante constrangido e revoltado com o caso. As traduções vem após ao texto original e estão em letras de tamanho menor do que o texto original:
Reader Comments
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: American Injustice System
nearly 3 years in jail without a trial!
Unbelievable! Embarrasment to the County, State & USA.
Give the man his day in court.
(quase 3 anos na cadeia sem um julgamento! Inacreditável! Constrangimento para o município, Estado e Estados Unidos. Dêem ao homem seu dia na Corte.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: No Surprize
Lets see, the judge WAS a prosecuting attorney with the County Attorney's office before her appointment to the bench. Her husband is a prosicuting attorney with the County Attorney's office. Just where do you think her loyalty is.
(Vamos ver, a juiza ERA uma promotora do escritório da promotoria do municipio antes de ascender a tribuna. O marido dela é um promotor de Justiça do escritório da Promotoria de Justiça municipal. É ali onde está a lealdade dela.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: The Cardinal
It is absolutely clear that this judge is inadequate at best....and quite possibly guilty of gross negligence. Why has she not been removed from the case? This makes Iran's judicial system look coherent.
(É absolutamente claro que essa juiza é inadequada ao máximo... e é bem possivel que seja culpada de negligência. Por que ela não foi afastada do caso? Isso faz com que o sistema Judiciário do Irã pareça coerente.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: Appeals Court ignored by local Judge Ainley
This would be my headline. Using delays she is ignoring the law. This is wrong, how can citizens respect our system when it seems people in charge do "whatever" (I have nothing to do with any of these people, just my opinion)
(Esta poderia ser a minha manchete. Usando atrasos, ela está ignorando a lei. Isso é errado. Como podem cidadãos respeitarem nosso sistema quando há pessoas no cargo de fazer "seja lá o quê" (eu não tenho nada a ver com nenhuma dessas pessoas, só minha opinião).
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: Beto Riginik
This case is a shame!
(Este caso é uma vergonha!)
Para ler o texto integral da noticia publicada originalmente em Inglês, clique aqui: http://www.prescottaz.com/main.asp?Search=1&ArticleID=97069&SectionID=1&SubSectionID=1086&S=1
Além de Griffen e da mesma juiza que tinha estipulado a milionária fiança contra Ricardo - 75 milhões de dólares, a maior fiança já estipulada no sistema judiciário americano -, Tina Ainley, estava o promotor de Justiça que o acusa do crime, Bill Hugues.
Da parte da juiza, ela afirmou recentemente que "o caso de Ricardo tinha prioridade para julgamento e que o atraso no julgamento é natural devido a série de problemas que ocorreram no decorrer destes quase mil dias". O julgamento dele superará os mil dias de espera, uma vez que completará 1000 dias em 15 de setembro de 2011 e está marcado para fins de novembro e começo de dezembro - espera-se que ainda neste ano.
O promotor sustentou que Costa é "um sério candidato a fugir para o Brasil se solto" e que o ex-manequim, nascido em Campinas/SP e radicado nos EUA desde o casamento com Denise Martin em 1993 "teria condições financeiras para pagar tal fiança e, que além dos bens de Ricardo, amigos e conhecidos poderiam cooperar para o pagamento de uma fiança no valor proposto por ele ontem".
Bruce Griffen argumentou que 25 mil dólares é uma fiança mais do que justa a ser cobrada do Brasileiro, mas o promotor contra argumentou que, "em outros casos semelhantes, uma fiança de 1 a 2 milhões de dólares é satisfatória". Percebendo a má vontade do promotor e da juiza em relação a Ricardo, o advogado de defesa decidiu optar pela estratégia de abrandamento com eles e apenas pediu para que a decisão de diminuição da fiança fosse divulgada o quanto antes. A juiza afirmou que sua decisão não sairia mais tarde do que semana que vem.
No website onde foi divulgada esta noticia, há diversos comentários. Faço questão absoluta de copiá-los para mostrar ao caro leitor que até o público americano está bastante constrangido e revoltado com o caso. As traduções vem após ao texto original e estão em letras de tamanho menor do que o texto original:
Reader Comments
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: American Injustice System
nearly 3 years in jail without a trial!
Unbelievable! Embarrasment to the County, State & USA.
Give the man his day in court.
(quase 3 anos na cadeia sem um julgamento! Inacreditável! Constrangimento para o município, Estado e Estados Unidos. Dêem ao homem seu dia na Corte.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: No Surprize
Lets see, the judge WAS a prosecuting attorney with the County Attorney's office before her appointment to the bench. Her husband is a prosicuting attorney with the County Attorney's office. Just where do you think her loyalty is.
(Vamos ver, a juiza ERA uma promotora do escritório da promotoria do municipio antes de ascender a tribuna. O marido dela é um promotor de Justiça do escritório da Promotoria de Justiça municipal. É ali onde está a lealdade dela.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: The Cardinal
It is absolutely clear that this judge is inadequate at best....and quite possibly guilty of gross negligence. Why has she not been removed from the case? This makes Iran's judicial system look coherent.
(É absolutamente claro que essa juiza é inadequada ao máximo... e é bem possivel que seja culpada de negligência. Por que ela não foi afastada do caso? Isso faz com que o sistema Judiciário do Irã pareça coerente.)
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: Appeals Court ignored by local Judge Ainley
This would be my headline. Using delays she is ignoring the law. This is wrong, how can citizens respect our system when it seems people in charge do "whatever" (I have nothing to do with any of these people, just my opinion)
(Esta poderia ser a minha manchete. Usando atrasos, ela está ignorando a lei. Isso é errado. Como podem cidadãos respeitarem nosso sistema quando há pessoas no cargo de fazer "seja lá o quê" (eu não tenho nada a ver com nenhuma dessas pessoas, só minha opinião).
Posted: Thursday, August 18, 2011
Article comment by: Beto Riginik
This case is a shame!
(Este caso é uma vergonha!)
Para ler o texto integral da noticia publicada originalmente em Inglês, clique aqui: http://www.prescottaz.com/main.asp?Search=1&ArticleID=97069&SectionID=1&SubSectionID=1086&S=1
terça-feira, 21 de junho de 2011
Lavô, tá novo!
Anos atrás, assisti o que considero ser o filme mais impressionante da minha vida. O título é "Vendetta" (1999, estrelado por Christopher Walken e Joaquim de Almeida) - não me lembro do título praticado no Brasil, mas deve ser o mesmo, já que é uma palavra bem conhecida pela enorme população de Italos-Brasileiros. Enfim, como esse filme foi marcante, volta e meia vem à memória a terrível história de um grupo de imigrantes italianos nos EUA, que foram presos, julgados e depois linchados com o aval do governo local.
Vamos a história
Em 1891, um delegado de polícia de New Orleans (é, é aquela mesma cidade que foi arrasada pelo furacão Katrina em 2005 e o Governo dos EUA nada fez para salvar a população; até hoje, os efeitos do furacão W. Bush, quer dizer, do Katrina repercutem no povão americano) de descendência irlandesa, David C. Henessy pegava pesado com os imigrantes sicilianos instalados na cidade, mas em geral, era festejado entre os outros imigrantes italianos que estavam sofrendo nas mãos dos seus compatriotas mafiosos da Sicilia.
Numa noite chuvosa, Henessy foi pego numa emboscada. Levado ao hospital, o delegado (ou "chief", como são chamados os delegados lá) sussurrou a alguns conhecidos "Dagos". "Dagos" era uma expressão desrespeitosa usada para se referir aos Italianos, assim como "carcamano". Pouco depois, ele morreu.
Sem investigação, um grupo de VINTE italianos acabou preso e, entre eles, até meninos pré-adolescentes. Alguns foram torturados para confessar suas ligações com a familia Matranga, que competia pela importação de frutas contra a familia Provenzano. Como os Matranga estavam vencendo a concorrência contra os Provenzano, o patriarca, Joseph (Giuseppe) Provenzano, tratou de arranjar capangas para acabar com a concorrência. Puro Poderoso Chefão: os capangas mataram alguns Matranga, foram presos e Henessy iria testemunhar a favor de Joseph Provenzano, se não tivesse sido assassinado uma semana antes.
O assassinato do chief Henessy causou comoção na cidade. E, como em qualquer lugar do mundo, tinha que aparecer alguém para se locupletar economicamente ou politicamente em cima da desgraça alheia: o prefeito de New Orleans, Joseph Shakespeare, começou a incitar a opinião pública contra os imigrantes italianos "Vamos ensinar a essas pessoas uma lição que nunca mais esquecerão", ele bradou em praça pública. Até o espírito de PIG apareceu, numa edição do Popular Science Monthly, de dezembro de 1890, questionando-direcionando o que deveria ser feito com os "dago", ao sugerir que as Leis em voga seriam inadequadas para controlar a criminalidade imigrante que aterrorizavam a população americana local. Tal artigo, amparou a prisão de vinte pessoas.
A histeria coletiva era tamanha que o filho de um eminente comerciante foi até a prisão onde estavam os vinte imigrantes no dia do enterro de Henessy e, portando uma arma, deu um tiro que atravessou o pescoço de um dos detentos. Por este assassinato, o "prêybói" ficou na cadeia por 6 meses.
O julgamento dos 19 italianos foi um verdadeiro circo, de fazer corar de vergonha o julgamento dos mandantes e dos assassinos da irmã Dorothy Stang. De cara, o promotor de Justiça, Lionel Adams, foi obrigado a retirar as queixas que recaíam sobre Matranga e Batian Incardona. As testemunhas de defesa estavam sendo ostensivamente ameaçadas e não compareciam ao tribunal; um dos acusados, Asperi Marchesi, foi inocentado em troca da "denúncia premiada". Outros, como Antonio Scaffidi, Manuel Politz e Pietro Monasterio, permaneceram acusados, mas foram inocentados pelo juri, que foi fiel as suas convicções e percebeu o erro grave que estava sendo cometido.
Em virtude de tamanha confusão - os bodes expiatórios estavam sendo inocentados, "who killa da chief Henessy?", gritava a população dentro e fora do tribunal, imitando a pronúncia e o sotaque italiano -, o juiz decidiu por bem manter os inocentados na cadeia por questão de segurança.
Justiça seja feita!
Dois dias depois que os 19 foram enviados de volta à prisão por "questões de segurança deles mesmos", um "espírito de sporco" chamado W. S. Parkenson reuniu uma turba e seguiram para um paiol onde se armaram até os dentes. Ele e a turba raivosa formavam um grupo chamado "Movimento para corrigir a justiça". Do paiol, seguiram para a cadeia onde estavam os então inocentados para matar a tiros nove dos inocentados e enforcarem nos postes de luz do lado de fora da cadeia outros dois. Sobreviveram oito, que supostamente foram ajudados por um policial de nome Dominic O´Malley. O´Malley, por sua vez, quase foi linchado pela turba.
O que os hipócritas gritam quando ocorre um evento de selvageria como esse? Se for no Brasil, os hipócritas correm a dizer "Se este país fosse civilizado....", "Se este país fosse sério, mas DeGaule disse que o `Brasil não é um país sério! ´" e por aí vai a cantilena, bla-bla-bla, nhem-nhem-nhem. O que então dizer dos EUA em relação a este caso, o caso do Ricardo Costa, ao do Professor de Educação Física Sean Lanigan e tantos outros? É um país civilizado? Tem certeza?? Continue lendo.
Ao invés de repudiar o crime que a turba enraivecida tinha cometido, o prefeito de New Orleans, Shakespeare limitou-se a mandá-los para casa e declarou "Deus os Abençoe". Pior: quando perguntado se estava chocado com os fatos, ele declarou: "Não, pois sou Americano e não tenho medo do demônio. Esses homens mereceram o castigo imposto pela população pacífica e obediente às Leis". Ah, tá.
Para fingir que comem de faca e garfo e não soltam pum na mesa, o linchamento dos imigrantes italianos foi "investigado e levado a julgamento". Na cadeira dos réus, estavam o policial O´Malley e dois dos jurados que haviam inocentado os 19 italianos. Acusação? Obstrução da justiça!!!! A fim de completar a belezura, o juiz ainda elogiou Parkenson pela iniciativa.
Remendando o soneto
Ao tomar conhecimento dos fatos envolvendo os imigrantes italianos nos Stati Uniti, o Rei Victorio Emannuel, pressionado por uma banca de promotores italianos, exigiu o retorno do Embaixador italiano nos EUA e expulsou o Embaixador americano. Mais pressionado ainda, gaguejou uma ameaça de guerra contra "il grande paese del nuovo mondo". Com o intuito de acalmar as partes, o Presidente dos EUA, através de seu Secretário de Estado exigiu que o Estado da Louisiana compensasse financeiramente as famílias dos 20 homens presos, o que ia completamente na contramão do que a "pacata, temente a Deus e obediente às Leis" população Americana pensava a respeito do linchamento. Em West Virginia, os americanos trabalhadores de uma mina de carvão fizeram uma violenta greve em decorrência da não demissão de dois colegas imigrantes italianos; a Guarda Suiça, aqueles emplumados soldadinhos (que não são Suiços, são Italianos) que protegem o Papa, foram impedidos de desembarcar nos EUA - e quase que o Papa foi preso na sua visita aos EUA.
Nem o assassinato do chief Henessy foi desvendado, nem a população italiana em New Orleans decresceu, nem a Itália entrou em guerra contra os EUA. Acabou tudo em águas de bacalhau.
E a história da xenofobia no Arizona nem ponta do iceberg é...
Bibliografia consultada:
http://files.usgwarchives.org/la/orleans/newspapers/00000077.txt
http://raciality.blogspot.com/2009/03/movie-about-historical-lynching-of-many.html
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