Mostrando postagens com marcador História do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História do Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de maio de 2011

GUTA: UMA HISTÓRIA APAIXONANTE






Dia 15/05, três anos da morte de Guta.













Seu pai, Raimundo Ribeiro Carneiro, nascido na Bahia, era um engenheiro, professor universitário e com tendências comunistas; era também bisneta de Ernesto Ribeiro Carneiro, professor de Ruy Barbosa e, por ambos serem mestiços, Ernesto acusava o "Águia de Haia" de querer se passar por "branco".

Ela nasceu em Minas Gerais, em 1947. Na infância, conheceu Carlos Marighela, famoso guerrilheiro, como "tio André"."Tio André" se amoitava na casa da familia Ribeiro Carneiro, ficava dois dias e depois sumia. Lógicamente que as crianças (Guta e Baynho - o apelido de Raimundo Ribeiro Carneiro, o filho, mais os outros três irmãos) não entendiam qual era a desse "tio".

Em 1958, a familia se mudou para o Rio de Janeiro e Guta foi matriculada no colégio Anglo-Americano, onde ela desenvolveu o gosto pela natação mas achava a educação uma chatice. Como as notas cairam na mesma proporção que as medalhas de natação proliferavam, ela foi transferida para o colégio Santa Úrsula. Neste colégio, ela aderiu ao grêmio estudantil e se candidatou a presidência do grêmio como... A candidata da esquerda! Foi eleita e arregimentada pela JEC - Juventude Estudantil Católica -, justamente por sua formação Católica. Sendo presidente do grêmio do Santa Úrsula, ela conheceu "a turma do grêmio do Santo Inácio", totalmente formado por meninos; eram os meninos do grêmio do Santo Inácio e as meninas do grêmio do Santa Úrsula.
Junto com o JEC, veio o contato com "partidão", também. Aos domingos, o JEC se reunia na igreja da Glória para discutir política sob a ótica católica.

Com o golpe militar em 1964, Guta foi sumariamente expulsa do colégio pelas freiras, que a consideravam "comunista". No dia do golpe, aliás, contou ela em entrevista para o PROJETO DA MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL, exceto pelo Caco [Centro Acadêmico Cândido de Oliveira], no Rio de Janeiro não havia mais nenhum outro movimento de resistência contra o absurdo golpe de direita. Temendo pela vida da filha, os pais resolveram mandá-la para os EUA, onde cursou inglês por um ano. Nos EUA, ela tomou ciência de que, tudo aquilo que se dizia no Brasil sobre "quão bem os EUA estavam fazendo ao enviar tropas para o Vietnã" era pura balela direitista e que os jovens de lá estavam se rebelando contra a guerra.
O convivio na casa da familia de um professor de Bekerley construiu a ideologia da moça que, aos 21 anos, estaria envolvida com um dos sequestros mais rumorosos do Brasil: o sequestro do Embaixador Americano Charles Elbrick.

Guta retornou ao Brasil um ano depois abertamente comunista, atéia e disposta a luta armada em prol da liberdade no Brasil. Validou seu diploma de 2o. grau para poder ingressar na universidade ("a formação intelectual era importante", diz ela na entrevista) e buscou ingressar também na Dissidência Comunista, liderado por Vladimir Palmeira, em 1967. Através do Caco e da Dissidência,o grupo se reunia para assembléias e para "zoar o barraco" dentro da faculdade. Em casa, o pai, ex-militante comunista, a pressionava a largar a vida de revolucionária.
Entre assembléias e brincadeiras, o grupo de resistência se colocava contra contra o acordo MEC-Usaid, uma tentativa de se privatizar 100% o ensino no Brasil, visando que o povo Brasileiro (e de outros países do Terceiro Mundo) mergulhassem nas trevas da total ignorância, afinal, um povo que desconhece seus direitos, que não pensa, é um povo facilmente governável".

Em 1 de maio de 1968, durante um encontro de jovens militantes em Ibiúna/SP, Guta é presa.

4 de setembro de 1969: um grupo de 12 jovens guerrilheiros do MR-8, sequestra no bairro do Botafogo, o Embaixador Charles Elbrick. O episódio, retratado no livro de Fernando Gabeira e posteriormente virou o filme "O Que é isso, companheiro?", era uma forma de pressionar a troca do refém pela libertação de diversos lideres do movimento estudantil, entre eles, José Dirceu, Onofre Pinto, Ricardo Zaratini, Vladimir Palmeira, Ricardo Vilasboas e Guta, todos presos e sendo torturados na dependênciasda Oban - Operação Bandeirantes -, até que Guta é transferida para o presídio Tiradentes (o mesmo onde permaneceu presa por dois anos a Presidente Dilma Rousseff).




Na Oban, Guta permaneceu dois meses e no presidio Tiradentes, mais alguns meses, até a ação do sequestro resultar na deportação dos 13 presos politicos, onde ela era a única mulher. Durante uma das sessões de tortura, Guta teve seus dentes quebrados no murro, por um torturador.








Guta, aos 21 anos, em frente ao Hércules 56 que transportou para o exílio, junto com Vladimir Palmeira (de pé, esq p/ dir, o primeiro) e José Dirceu (ao lado de Palmeira). Na foto, Guta está de pé e é a 6a. pessoa (esq. para dir.)














Do México, o grupo seguiu para Cuba. Muitos deles se sentiam incomodados por serem "hóspedes da Revolução Cubana". Alguns trataram de conhecer a fundo o que a Revolução Comunista estava fazendo pelo povo da ilha; outros, se engajaram em aulas de guerrilha. Guta, participando do segundo grupo, fez os cursos que quis e logo saiu de Cuba para morar na Itália, Chile, Argélia e Suécia. Na Suécia, ela teve o seu primeiro filho, Carlinhos, que nasceu com sérios problemas de saúde e lá ela voltou a estudar. Graduou-se em Pedagogia na Universidade de Uppsala.
Retornou ao Brasil após a Anistia de 1979, para ser uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro, junto com Benedita da Silva, que posteriormente seria Governadora do Rio de Janeiro. E, durante o Governo da "companheira Benedita", Guta foi diretora da fundação Santa Cabrini, ligada à recuperação de detentos.










Após a eleição de Luis Inácio Lula da Silva como Presidente do Brasil (2003-2010), Guta tornou-se Ouvidora-Geral da Petrobrás, a maior empresa do setor petrolífero no hemisfério sul e uma das três maiores do mundo.

Em 2004, Bruna, sua sobrinha e filha do irmão Raimundo - Baynho, retornou ao Brasil com o seu filho de 4 anos, Sean. Além de ser tia, Guta passou a ser a maior confidente de Bruna e, assim sendo, tomou conhecimento do desastroso casamento da sobrinha com o americano David Goldman, nos seus pormenores.















Por Bruna e Sean: a luta pela Justiça.










Quando, em 2007, acusados de "cumplices no sequestro internacional de Sean", Raimundo e Silvana são impelidos a aceitarem o "acordo para retirada da acusação", Guta postou-se contrária ao pagamento de 150 mil dólares exigido pelo ex-genro do casal.





No ano seguinte, em agosto, Bruna, divorciada de Goldman e já legitimamente casada com o advogado João Paulo Lins e Silva, falece horas após o nascimento de Chiara, irmã de Sean por parte de mãe.





Tendo ciência de quem era o ex-marido da falecida sobrinha e com a garra de quem sobreviveu a muitos revezes em nome da Democracia, Liberdade e Verdade, Guta resolveu abraçar o Direito de Sean permanecer no Brasil com aqueles que são a sua verdadeira familia: os avós (que prometeram tomar conta dele e da irmãzinha em nome da falecida filha), a irmãzinha e o homem que se casou legitimamente com Bruna e que deu a Sean todo o amor paternal (não apenas o amor paternal mas também estruturou uma vida saudável em familia com Bruna e Sean) que ele recebeu durante os anos no Brasil.





Seu último ato de defesa do Direito de seu sobrinho neto foi uma carta publicada após o começo dos ataques midiáticos de David Goldman no Brasil em 2009. (v. carta abaixo)





Porém, sabe-se lá por que e como, em 25 de abril de 2009, enquanto ia para casa de carro em Búzios/RJ, Guta perdeu a direção e, na rua de casa, o auto chocou-se contra um muro. Foi resgatada, recebeu os primeiros socorros ainda em Búzios e transferida de helicóptero para o Copa D´Or, na zona sul do Rio de Janeiro.





Foi submetida a três cirurgias para a retirada do baço, suturar estômago e fígado. Por 20 dias, a grande guerreira lutou por sua vida, falecendo em 15 de maio de 2009.

De forma besta e dolorosa, uma grande Brasileira se vai. Se alguém quer um livro realmente interessante, fica aí a dica de se escrever a biografia da Maria Augusta, Guta, como preferia ser chamada.





E mais uma conclusão que eu tiro: Bruna, de sangue italiano da Mooca e de sangue baiano, teve muita coragem e ombridade ao peitar o manipulador ex-marido. Genética não é por acaso.








CARTA DE GUTA








"Amigos,





peço atenção de vocês pois este é um assunto extremamente sério e doloroso que está afetando toda minha família e mais diretamente uma sobrinha querida, Bruna, meu irmão mais velho, Baynho, minha cunhada Silvana e meu sobrinho neto, Sean. A morte de Bruna além de tudo que significou para nós que a perdemos tão prematura e inesperadamente, possibilitou a situação absurda que estamos vivendo quando David Goldman, cidadão norte-americano e ex-marido de Bruna, que reclama o direito à guarda do seu filho biológico, guarda esta que estava com a mãe há mais de 4 anos.





É importante registrar que hoje Sean tem 8 anos (completará 9 em maio) e que durante todos esses anos não houve sequer uma tentativa da parte do pai biológico de contatar o filho. O endereço, contato telefonico, todos os meios eram conhecidos por ele e estiveram todo o tempo à sua disposição. Tudo começou quando minha sobrinha decidiu se divorciar e voltar a morar no seu país de origem.





Não conseguindo impedi-la já que era direito seu continuar ou não casada e por ter a mesma obtido a guarda do filho, o ex-marido iniciou um processo de pressão que só terminou depois que meu irmão e sua mulher concordaram em pagar 150 mil dólares. Foi uma tentativa (ingênua me parece) de livrar a família das ameças de acusação por sequestro do Sean com que David já ameaçava a família na ocasião. O dinheiro foi pago e o recibo do mesmo está anexado a todos autos onde foram aberto processos (Vara de Família, Vara Federal e AGU).





Não houve jamais qualquer tentativa ou intenção de evitar o contato entre pai e filho. Se não houve contato entre eles, o único responsável foi o pai biológico que hoje diz ter sido impedido, fato que não consegue comprovar.





É importante que aqui se faça um parentesis para esclarecer outro fato que mais tarde explicará o porque desse interesse tardio do pai biológico em conseguir a guarda do Sean: uma vez de volta ao Brasil, Bruna demonstrou ser uma excelente empresária e fez enorme sucesso no ramo de confecção de roupas infantis, criou uma marca e com muito talento e trabalho aumentou e muito o capital inicial empregado o qual havia herdado da família materna. Ou seja, Sean como herdeiro direto da Bruna tem direito a um montante de recursos expressivos que estariam à disposição do pai biológico caso ele ganhasse o direito da guarda. Por tudo que vivemos antes e pelo conhecimento que temos acreditamos que David Goldman visa unica e exclusivamente a herança do Sean.





A família que já sofreu extorsão uma vez teme ser novamente vítima. Em consequencia, acatam a orientação jurídica de não se manifestar publicamente sobre as acusações absurdas de que são vítimas, apesar do enorme dano moral e emocional que estão sofrendo.





Os pais, viúvo e irmão, denunciados e achacados como sequestradores, imorais, sem escrúpulos etc., sequer tiveram o direito de chorar dignamente a perda da Bruna pois, apenas 10 dias após sua morte, o pai biológico do Sean já estava aqui no país reclamando sua guarda.





Diante de tudo isso decidi pedir ajuda ao Governo brasileiro através da Secretaria de Direitos Humanos no sentido de proteger a integridade do Sean (também cidadão brasileiro), não apenas como tia avó, mas como cidadã que tem conhecimento da ameaça que significa a possibilidade dessa criança ser entregue ao pai biológico. Bruna, além de sobrinha, tornou-se minha amiga e confidente. Sentia-se à vontade na relação comigo e desta forma me fez confidências de diversos episódios do seu casamento que hoje me levam a tomar esta medida. Conhecedora de fatos ocorridos durante seu casamento com o pai biológico do Sean, sinto-me na obrigação de tentar impedir o que, caso ocorresse, poderia resultar em crime de abuso contra um menor. Solicitei uma medida de proteção aos direitos do Sean .





Gostaria que tudo fosse resolvido no âmbito legal, longe dos holofotes, mas, a situação está se tornando muito difícil para todos nós dada a campanha mentirosa e cínica que David Goldman está comandando pela internet e pela imprensa no seu país.





Minha sobrinha é retratada como uma adúltera, sem princípios e moral, que teria sequestrado seu filho para impedi-lo de conviver com o pai biológico. Para tanto ela teria se aliado ao suposto amante João Paulo Lins e Silva, na verdade seu marido legal (agora viúvo), com quem se casou após o divórcio. Ele é o pai da única irmã do Sean e se chama Chiara. Sean convive com João Paulo há mais de 3 anos. Ele o tem como pai. Ama-o, chama ele de papai, sabe que tem um pai biológico, mas, seu afeto, emoção, todos sentimentos estão ligados a quem o criou junto com a mãe nos últimos anos. Trata-se de uma criança de 8 anos que convive com esta família por quase a metade de sua vida. Como aceitar esse absurdo? Tudo que está sendo afirmado pela famíla está documentado e faz parte dos citados processos.





Desculpem o longo desabafo. Mas, como não temos permissão legal para rebater as acusações que fazem a nossa família fora do âmbito judicial, conto apenas com os amigos que me conhecem, conhecem minha história e principalmente conhecem meu compromisso em defender os direitos de todos.





Como me abster logo quando pessoas queridas de minha família estão envolvidas? Abraço grande e obrigada mais uma vez,





Guta. "













***









BIBLIOGRAFIA







PROJETO MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL (Entrevista com Maria Augusta Ribeiro Carneiro para download)








http://www.mme.org.br/main.asp?View=%7BD8F61CAF-FA6F-480C-B5B8-2B7E57510000%7D&Team=&params=itemID=%7B05DA2022-9809-4FB6-AB6E-29FC39F6B056%7D%3B&UIPartUID=%7BD90F22DB-05D4-4644-A8F2-FAD4803C8898%7D








MARIA AUGUSTA CARNEIRO RIBEIRO (1947-2009)








http://pandinigp.blogspot.com/2009/05/maria-augusta-carneiro-ribeiro-1947.html









GUTA POR MARIA AUGUSTA








http://youpode.com.br/blog/alguemmedisse/2009/05/15/guta-por-maria-augusta-i/









NOSSA AMIGA E COMPANHEIRA GUTA NOS DEIXOU








http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&id=5951&Itemid=2








INCURSÕES NA HISTÓRIA DAS ANISTIAS POLITICAS NO BRASIL








http://www.dhnet.org.br/direitos/anthistbr/redemocratizacao1988/homero_anistia.html#6

domingo, 17 de abril de 2011

o que a famosa reportagem da Piauí NÃO contou.



Uma revista ao (des)serviço do Brasil.



Na famosa reportagem que a revista Piauí, ed. 26, Nov 2008, há um trecho que me chamou muita atenção e, acredito, pelo desenrolar dos acontecimentos no caso Sean, sobretudo no tocante a reação da opinião pública, deve ter tido o mesmo efeito que uma mensagem subliminar, ainda mais que o trecho está inserido de tal forma que não há uma real divisão entre os assuntos.
Eis o trecho:

"Mais de dois séculos atrás, um pai italiano de linhagem bem mais nobre do que o americano Goldman passou por provação semelhante. Ele se chamava Alessandro Fé d’Ostiani (SIC), era conde e diplomata de carreira. Casara-se com Rita de Souza Breves, uma das filhas do comendador Breves, considerado o brasileiro mais rico de seu tempo, e cujas terras se estendiam de Itaguaí a Parati, da serra até o mar. Tiveram uma filha, Paulina, que ficou órfã de mãe aos 6 anos de idade, permanecendo sob os cuidados dos avós. Ao ser transferido de volta para a Itália, o conde foi proibido pela família Breves de levar a filha com ele. Precisou apelar para o imperador dom Pedro II e contou com uma escolta comandada pelo capitão Piragibe para fazer valer o mandado de busca e apreensão da filha. Tudo em vão. Piragibe e seus soldados foram escorraçados pelos homens armados da fazenda, e Fé d’Ostiani teve de partir sozinho. O comendador mandara avisar que era a última vez que o conde saía vivo de suas terras. Paulina só se reuniu com o pai quando mocinha."


O trecho em que é citado o caso Breves-D´Ostiani, conforme foi publicado. Clique para expandir.


Apesar de resumir um caso rumoroso na Corte de D. Pedro II em dois parágrafos, a PIAUI tinha que manipular ao gosto do freguês (Goldman, Embaixada dos EUA) esta triste história, uma das raras contendas de Vara de Familia do Império, contando que o Comendador Joaquim José de Souza Breves, como se fosse um sinhozinho Malta qualquer, "botou para correr até as tropas do Império para fazer valer a sua fútil vontade".

Se a imprensa no Brasil (e no mundo) não fosse um mero frívolo balcãozinho de negócios que não representa em absoluto os interesses da Sociedade, a PIAUÍ, como representante da imprensa, SE fosse necessário e imprescindível citar este caso ocorrido no século 19, teria gasto MAIS um parágrafo para explicar que o ex-genro do Comendador Breves, o Conde italiano D´Ostiani (*), não era uma florzinha que se cheirasse, não e que Maria Paulina só foi para a Itália quando já estava noiva do Conde francês Charles Jean Tristan de Montholon, embaixador da França na Suiça. Também poderia citar que após a doença e consequente morte de Rita, o Conde D´Ostiani, antes de retornar à Itália, não exigiu a filha, mas sim, todas as jóias da falecida. Mas, vamos ao que realmente interessa, vamos contar a história COMO ELA É, embasada em relatos históricos autênticos, documentados por Historiadores que não tem a menor intenção de "puxar braza para esta ou aquela sardinha".

O COMENDADOR MAIS RICO DO BRASIL E O TRÁGICO CASAMENTO DE SUA FILHA

O Comendador Joaquim José de Souza Breves, conforme a revista cita, era o homem mais rico do Brasil em sua época Tanto que vem desse período a expressão:"rico como um Brasileiro". Possuia terras no Vale do Paraíba, porém perto de outros fazendeiros, tinha poucos escravos. A quantidade chegava a 12 mil e, também diferente de outros fazendeiros, o Comendador Breves costumava ter com seus escravos uma relação a mais próxima e carinhosa o possível; raramente impunha castigos aos seus cativos. Tanto que os escravos tinham uma forma peculiar de cumprimentá-lo pelas estradas de terra batida a qual Comendador respondia: "que sei que és meu, isso sei; quero saber de qual fazenda."

Ele tinha mais chão do que escravos e era casado com a própria sobrinha Maria Isabel de Moraes Breves e o matrimônio não apenas aumentou-lhe a quilometragem de terras, como também lhe trouxe oito filhos, entre eles, Ritta. Inteligente e com trânsito fácil pelos salões da Corte, o Comendador Breves era amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, porém tal amizade não o poupou, em 1850, de ser processado pela compra de escravos e, graças a uma boa banca de advogados, inocentado. Era escravagista, sim, mas não vestia a mortalha da hipocrisia que tantos outros ricos fazendeiros de seu tempo vestiram ao depararem-se com as novas regras impostas, não pelas mãos do imperador,mas pela exigente Inglaterra, que detinha então boa parte do Reino (naquela época, por exemplo, quase todo o comércio carioca estava nas mãos dos ingleses) e que, em 1808, já haviam exigido que D. João VI, avó de D. Pedro II, "abrisse os portos às nações amigas", ou seja, para despejarem suas tralhas industrializadas, a Inglaterra, que tinha assegurado a fuga da Familia Real Portuguesa para o Brasil cobrou a "sua taxa de serviços".


Em 1857, a filha do Comendador Breves, Ritta, contraiu núpcias com o diplomata italiano, Conde Alessandro Fé D´Ostiani no Rio de Janeiro. Viveram alguns anos no estrangeiro, mas a única filha do casal, Maria Paulina, nasceu no Vale do Paraiba, numa das fazendas do Comendador. Em seguida, o casal e a criança dividiam-se entre viagens ao estrangeiro e longas estadias na fazenda da Grama, em Passa-Três (RJ).


Naquela altura dos acontecimentos, Conde D´Ostiani, diplomata encarregado de negócios do Reino da Sardenha, era apenas mais um nobre falido vivendo as expensas do rico sogro fazendeiro Brasileiro, já que vivia como o próprio Rei da Sardenha.

EIS O QUE A PIAUÍ OMITIU ESTRATÉGICAMENTE E O QUE ELA RETRATA COMO "CORONELISMO"


Quando Maria Paulina tinha por volta de cinco anos, Ritta apresentou problemas emocionais. Trazida de volta ao Brasil, foi recolhida à fazenda da Grama, onde seus pais viviam e onde, supostamente, prepararam-lhe um quarto com reforçadas grades de ferro.
O Conde quis voltar a Europa com a filha, a fim de que a manutenção da menina consigo mantivesse o fluxo de dinheiro do sogro ao seu bolso - mas bem longe da esposa "doente dos nervos", método chavão de se livrar de uma esposa quando não se podia divorciar, ainda mais que os casamentos naqueles tempos eram regidos pelas Leis Eclesiásticas.

Conforme relato de Maurice Ternaux-Compans, diplomata francês servindo na representação da França na Corte do Rio de Janeiro, quando D´Ostiani resolveu voltar a Europa com a criança, a avó Maria Isabel preocupou-se com o bem estar de Paulina e resolveu que a neta não seguiria o pai, pedindo que seus escravos de maior confiança retirassem a menina da residência ocupada pelo pai no Rio de Janeiro e a levassem para os domínios dos Breves no Vale do Paraíba.
Vendo que seu plano de continuar curtindo a vida adoidado as expensas do "sogrão querido" ia por água abaixo, o Conde D´Ostiani resolveu finalmente trabalhar - em benefício próprio. Ele reclamou com o Governo Imperial quanto ao que Ternaux-Compans chamou de "rapto da condessinha" em seu relato.

Para não ter problemas com o filho da amante de Napoleão Bonaparte, o Imperador destacou o Barão de Piraí, Capitão Piragibe e soldados para retirarem a menina da fazenda. Ma non troppo. Bastou que o Comendador colocasse seus escravos de guarda e as tropas recuaram prudentemente (Óbvio! Uma que o Barão de Piraí era parente do Comendador Breves e; duas, o Comendador, como já citado, era amigo intimo do Imperador. Jogo de cena!), sem contar que a babá de Paulina que se chamava Lisão, a escondia em diversos locais diferentes enquanto ocorreu a "busca e apreensão" da menina.

Restou ao Exmo. Conde, tempos depois, enfiar a violinha no saco, mas não deixar de tentar sua tacada final: exigir todas as jóias de Ritta. Na altura do campeonato, a mãe de Paulina, com quem supostamente a criança tivera pouquissimo contato nos dois últimos anos devido ao enclausuramento, falecera.

Como processos de guarda de Paulina já se desenrolavam na Sardenha (apesar de nascida no Rio de Janeiro, prevalesceu a nacionalidade do pai, sardenho), os advogados de Breves, prevendo uma sensível piora nas relações entre o Brasil e a Sardenha, além da desvantagem jurídica que a familia Breves levava naquelas paragens - eram Brasileiros ricos, mas estavam disputando a guarda de uma criança sardenha aparentada do Rei da Sardenha! -, aconselharam o Comendador a fazer um acordo com o Conde. Eis o acordo:

o Comendador entregou ao Conde Alessandro TODAS as jóias de Ritta, uma fortuna incomensurável.

Por 11 anos, o Conde viveu a vidinha dele em Brescia, onde havia o Palácio de sua família, sem se preocupar com a filha, somente a reencontrando quando esta tinha 18 anos, por volta de 1868, 1870, e estava noiva do Conde De Montholon, neto do General amigo de Napoleão Bonaparte.

Conde Alessandro Fé D´Ostiani faleceu tempos depois e seu palácio foi doado pela filha a uma instituição de caridade.

Paulina e Charles De Montholon nunca tiveram filhos e o contato dela com quaisquer parentes consanguineos era apenas com a prima, Maria Isabel de Moraes Costa Breves, residente em Paris.

A "condessinha" faleceu em 1932 e deixou de herança apenas o epitáfio do marido.

O Comendador Joaquim José de Souza Breves faleceu em 1889, o mesmo ano da Proclamação da República, sendo que um ano antes, em 13 de maio de 1888, havia sido promulgada a Abolição da escravatura. Dias antes da assinatura da Lei Áurea, o comendador chegou a comprar escravos, pois não cria na possibilidade(insana para ele) de que o Governo Imperial pudesse jogar contra os principais fornecedores de divisas para o Reino.

Com o passar do tempo, os herdeiros não conseguiram administrar as terras e foram vendendo-as até que restasse muito pouco dos antigos domínios


. (*) Quando o sobrenome italiano é NOBRE, a letra "D" não é minúscula; é MAIÚSCULA. E essa regra vale para todos os sobrenomes nobres da Europa. No caso do Conde Alessandro Fé D´Ostiani, é uma contração de "Da Ostiani", uma vez que nobres como barões, tem o "Di" antes do sobrenome, marqueses tem "De". Lógico que não dá para exigir um mínimo de cultura heráltica de um jornalistazinho Brasileiro, muito menos de um jornalistazinho brasileiro que escreve para uma revista de extrema direita golpista!

BIBLIOGRAFIA

http://www.brasil.terravista.pt/magoito/2028/rei2.htm http://www.brevescafe.oi.com.br/ternau.htm http://www.brevescafe3.xpg.com.br/osti_legado.htm http://www.brevescafe.oi.com.br/joaq_orei.htm http://www.brevescafe3.xpg.com.br/osti_ritamaria.htm